Virada Cultural nas ruas do Centro: crack, cocaína, narguilé (na moda hoje em dia), maconha, cigarro, vinho adulterado, melzinho, cerveja, água, refri, camelô, gente normal, gente feia, gente feia pacarai, arrastão, desmaio, polícia, brigas, gente sangrando, gente roubada, comida cara e, quando dá sorte, no meio disso tudo você encontra cultura, arte e pessoas no espírito da Virada mesmo. Raras, mas existem.
Devido à extensa programação, é quase impossível manter-se parado num lugar só. Se fossem menos atrações, distribuídas em mais dias - um feriado prolongado, por exemplo - as pessoas se deslocariam menos. Talvez isso ajudasse a não visualizar metade das coisas ruins que a Virada oferece, em detrimento de tantos artistas sensacionais. No entanto, para tentar cumprir um itinerário escolhido, você se torna obrigado a transitar pelas ruas apertadas e, muitas vezes, sem saída do Centrão. E é ali que o bicho pega. Uma pena. Uma pena mesmo.
Ao postar no Facebook, diversos amigos teceram belos comentários. Um deles, o Tom Alcivam, disse que "muitos artistas já não aceitam a proposta de tocar na virada cultural". Fácil entender o motivo. Não aguentei e saí cedo, sem ver muita coisa bacana e com o coração apertado. Cheguei em casa feliz da vida por não ter sido roubado, nem recebido golpe de garrafa quebrada e por ter reencontrado bons amigos! E só...
O bom de estar na Virada é que a auto-estima vai lá em cima. Brincadeiras a parte, não é só gente feia fisicamente falando, porque isso seria o de menos. É gente feia por dentro. Uma pobreza de espírito assustadora. Pessoas sem educação, sem amor próprio, sem brilho...
A Virada Cultural se resume em uma ideia ótima que vai para o ralo a cada dia. Ou será que eu é que estou velho e chato demais e já não consegue curtir as coisas feitas desta forma? Bom, para evitar uma imparcialidade, você resolve participar dos demais eventos gratuitos na cidade, como o Reveillon na Paulista, a Parada Gay, e outros. E, então, vê a mesma coisa. Quem nunca foi, pode até pensar que é preconceito contra as pessoas que, por conta da gratuidade, puderam ter acesso à cultura, por exemplo. Mas quem se aventura por lá, se depara com tudo, menos com pessoas que foram com aquele objetivo proposto. Uma pena. Uma pena mesmo.
Eu não frequentei a Virada ao longo da manhã/tarde do domingo. Talvez neste horário o Centro se torne um lugar melhor. Quem sabe se as atrações não fossem na madrugada as pessoas teriam outra atitude? A impressão que tenho, pensando cá com meus botões, é que, de noite, a educação repousa e os monstros escondidos dentro de nós tende a surgir e... Opa. Pensando bem, Parada Gay é durante o dia e a bagunça também existe. Pelo jeito, o horário não influencia muito. Mas, a madrugada ainda parece ser mais propícia para os baderneiros de plantão.
A maioria está pela farra, pela possibilidade de passar a madrugada bêbada pelas ruas do centro, se achando os maiorais e de personalidade forte, que fumam, que bebem, que beijam este ou aquela. Uau, que pessoas incríveis! Qual será o conceito de maturidade que está embutido na cabeça deles hoje em dia? Seria, talvez, uma forma de mostrar que estão livres para viver a vida como bem entenderem? E onde foi parar a parte que diz que temos direito de fazer tudo, mas também temos deveres e um deles é exatamente o respeito ao próximo? Hum...
A gente precisava mudar muita coisa antes de fornecer à sociedade um evento gratuito. Mas, para um político é mais fácil dar o circo e o pão do que educar. Coloca-se polícia para fazer um serviço de controle, mas que não consegue dar conta da grande massa. E deixa os professores com salários baixos, desmotivados... Que contrariedade!
A nossa sociedade ainda está muito, muito longe do preparo necessário para usufruir das coisas com seriedade. Talvez não demore muito para todos os eventos gratuitos de São Paulo terem o mesmo destino do famoso "Bolo do Bixiga", que deixou de ser produzido por conta da avacalhação que virou.
E fica a dúvida: é possível manter-se a esperança de que um dia a coisa toda funcione da forma como deveria ou melhor perdê-la de vez, pois a sociedade está podre há 500 anos e a mudança é muito mais lenta e, talvez, impossível?
Uma pena. Uma pena mesmo...
PS: a Virada Cultural também acontece em lugares diversos, como CEUs, teatros, estações/trens de metrô, SESC, museus, entre outros. Nestes espaços, é possível verificar que a arte predomina, mantendo o espírito da cultura em todos ali presentes. Sendo assim, talvez a ideia de usar mais estes espaços, dividir em mais dias e deixar as ruas apenas para o trânsito das pessoas pudesse eliminar aquilo que choca e que, no fim das contas, toma uma proporção muito maior.
Todo restaurante guarda seus segredos. Aliás, já diz o dito popular - um tanto machista, concordo - que duas coisas você jamais deve querer conhecer antes de comer: a cozinha de um restaurante e o passado de uma mulher!
Sabe aquele gostinho que você nunca consegue repetir em casa? O queijo queimado do hamburguer, o molho delicioso do macarrão, o tempero indecifrável do frango assado, a maciez do pão francês ou a textura incrível da sobremesa... Pois é. Às vezes, é melhor deixar no campo da curiosidade.
Bar do Léo. Anos e anos de tradição. Até o fim de semana passado, pelo menos. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo (clique AQUI), um advogado resolveu questionar a origem da famosa bebida servida por lá. Não deu outra: chopp falso. Vendiam Ashby como se fosse Brahma. Daí, os caras da vigilância resolveram aproveitar a visita de verificação da bebida e deram uma olhada na cozinha. Resultado: bar interditado por conta dos processos de fabricação dos alimentos.
O que não podemos deixar de perceber - e citar - é o fato daquela área ser bastante vislumbrada pela “turma da desapropriação” do Kassab. Os mesmos, provavelmente, que fizeram a “limpeza” da Cracolândia, tirando de lá os usuários com a desculpa de assistência social, mas que apenas empurrou o problema para outros bairros, enquanto a região da Nova Luz, que abriga lugares importantes como a Sala São Paulo, agora pode finalmente ser revitalizada, para receber prédios de alto padrão, e permitir a livre circulação dos bem vestidos da alta sociedade, sem que estes vejam as feridas que a cidade carrega...
Independente de tudo, realmente é sacanagem pagar o preço de um chopp, tomando outro de marca inferior. Assim como é sacanagem fornecer produtos estragados ou sem higiene. Porém, é uma pena que coisas como esta – a fiscalização de estabelecimentos - só aconteçam por motivos bastantes duvidosos e nada nobres. O que também é uma grande sacanagem...
Fico muito contente pela oportunidade de esclarecer uma história que aconteceu nesta semana e deixou-me bastante abalada. Aliás, eu gostaria de dizer que fico muito surpresa, já que raramente nós, idosos, podemos falar o que pensamos. As pessoas não têm paciência conosco e vivem exigindo que a gente termine logo, sendo que temos tantas coisas pra contar. Na minha época não era assim. As crianças respeitavam os mais velhos. Sentávamos junto de nossos avós para ouvi-los contar as mais belas histórias, fossem ficção ou não. Hoje em dia as crianças só querem saber de computador e televisão. Não têm mais tempo para nós. Mas, o que eu estava falando mesmo? Ah sim, eu ia contar a história que aconteceu esta semana. Peço que não repare, pois eu costumo esquecer algumas coisas. Sabe como é. A idade é mesmo uma porcaria. A gente passa o tempo todo dependendo de remédios pra controlar o “alemão”, além de ter de esperar que as pessoas venham nos ajudar. Ainda bem que tem a Clarinha. Ai, uma moça que mora aqui perto da minha casa, que tem me ajudado bastante, sabe?! Ela é um anjo. E fico tão feliz com o apoio dela. É muito importante pra mim, pois já não tenho o mesmo vigor da juventude, embora eu ainda seja uma mocinha.
Minha Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Eu já esqueci de novo o que eu ia... Ah, sim. É a história desta semana. Pois, então. Como eu dizia, a Clarinha me ajuda muito. É quase uma filha pra mim. Ou quase uma segunda filha, já que eu tenho uma, a Dora, que mora na outra vila. A Dora casou-se com um moço bem bonito, cheio de galanteios. Mas, assim que ela teve minha netinha, ele sumiu do mapa. Acredita nisso? Eu falava para ela que, quando a esmola é demais, o santo desconfia. E ela não me dava ouvidos. E, então, teve que cuidar sozinha da menina. Na época eu ainda conseguia ir até a casa dela para ajudar, mas agora minhas pernas não permitem que eu ande por aí a toda hora. E vivo muito adoentada também. A Dora costuma vir em casa aos finais de semana e traz a minha neta. Mas, ultimamente ela tem trabalhado tanto na vendinha que ela montou em sua casa para ganhar um dinheirinho, que às vezes ficamos sem nos ver por duas semanas. É quando a Clarinha aparece para limpar minha casa, lavar uma roupa, ajudar a cozinhar. Mas, a vida é assim mesmo, não é, menina? Criamos os filhos para o mundo, não para nós mesmos.
E cá estou novamente desviando do assunto. Bem, a história que eu vou contar é sobre minha neta. Ela é uma menina muito bonita. Está na idade de virar mocinha. E é conhecida na cidade como Chapeuzinho Vermelho, por conta de uma capa que eu fiz para ela já há um tempo e que ela bota na cabeça todas as vezes que sai na rua. Fico até imaginando se ela tem lavado de forma adequada aquela capa. Ela gostou tanto, mas tanto, que não deixa de usar. E, com isso, acabou ganhando o apelido. E todos por aqui conhecem minha neta apenas por este nome: Chapeuzinho Vermelho.
No final de semana passado, eu fiquei acamada. Ai, menina, uma gripe muito forte acabou me pegando. Tentei fazer um chá assim que notei que ficaria gripada, mas não teve jeito. Consegui enviar um recado à minha filha através da Clarinha. Dora se prontificou para vir até minha casa. Segundo ela me contou depois, passou a manhã toda se preparando, fazendo umas broas deliciosas que ela aprendeu comigo, mas cuja receita aprimorou com o tempo. É um sucesso de vendas. Ela fez algumas, mas o cansaço da semana, unido ao daquela manhã, fez minha filha tomar uma atitude que eu considerei condenável, mas que até então ela não imaginou o que acarretaria.
Tão logo terminou as broas no início da tarde, minha filha chamou a Chapeuzinho e pediu para a menina trazer as broas para mim. So-zi-nha! Acredita nisso? Quando eu soube, tive vontade de passar um sermão na minha filha. Onde já se viu fazer uma coisa dessas? Por mais crescida que minha neta esteja, ela ainda é uma criança! Mas, a minha filha não queria me deixar sem cuidados. Deu todas as instruções para a Chapeuzinho, inclusive frisando bem que ela deveria vir até minha casa pelo mesmo caminho de sempre, a estrada ao lado do rio.
A menina saiu de casa, em direção ao meu lar. No meio do caminho, porém, resolveu entrar na floresta, tanto para cortar caminho, como para conhecer as coisas novas, segundo ela me falou. Eu ainda acho que foi por desobediência. Esta juventude está perdida. Não existem mais jovens como antigamente. Na minha época jamais uma pessoa ousaria desrespeitar uma ordem de seus pais. Principalmente sabendo dos perigos que nos cercam. Eu fiquei estupefata quando minha filha e minha neta me contaram tudo isso. Sem dúvida daria algo errado. E ainda acho que é um verdadeiro milagre estarmos vivas. Imagine só, menina, o que mais poderia... Ai meu Deus! Lembrei que deixei o leite no fogo. Já volto.
Menina, que perigo! Por pouco o leite não derrama. Acredita que eu sempre faço isso? Boto o leite no fogo, a roupa na máquina, o bolo no forno, ligo a televisão pra assistir o Silvio e vou tomar banho. Tudo ao mesmo tempo. Ai, meu anjo, idade é algo tão cruel! Acho que desviei de novo do assunto, não é? Onde eu parei mesmo? Deixa eu ver. Hum. Eu já comentei que a Chapeuzinho desviou de seu caminho? Ah, que ótimo. Pois, então. Ela resolveu sair da estrada e vir até minha casa pela floresta. E os fatos que se sucederam foi o que ela, um pouco assustada, conseguiu me contar.
Estava a Chapeuzinho feliz e contente andando pelo meio das árvores, quando surgiu um lobo à sua frente. Ela não sentiu medo dele, embora ele tivesse uma aparência bastante diferente do que ela estava acostumada a ver. O convívio dela se resumia a poucas pessoas, como eu, sua mãe e algumas coleguinhas que moravam próximo de sua casa. Aquela figura acabou, então, deixando-a curiosa. E, talvez, foi por isso que ela resolveu ser educada com ele. O lobo iniciou a conversa e, aos poucos, foi fazendo perguntas diversas para ela. Havia uma certa pressa na fala do lobo. E eu acredito que seja por conta dos lenhadores que trabalham na floresta. Para evitar ser visto ali com uma menina indefesa, o lobo resolveu cortar o assunto e apostou uma corrida com a Chapeuzinho até minha casa, tão logo ela deu o meu endereço e ensinou como chegar até aqui. Qualquer pessoa sabe que o lobo chegaria primeiro, não só por ter quatro patas, por ser mais ágil e forte, mas também por conhecer bem a floresta. Mas a minha neta, ingênua e distraída, acabou aceitando a aposta.
O resultado disso tudo é que eu, uma velha coitada, enferma e que não tinha nada a ver com a história, terminei por sofrer traumas dos quais tem sido difícil me recuperar. Imagine só, menina, que estava eu em casa, deitada na minha cama, com minha camisolinha de algodão, quando senti que minhas forças estavam começando a voltar. Resolvi levantar-me e preparar um chá para tomar, na tentativa de acelerar minha cura. Com muita dificuldade consegui sentar-me na cama, calcei minhas chinelas e, então, caminhei devagar para a cozinha. No meio do caminho, ouvi uma batida na porta. Foi tão forte, que pensei que um veículo estava derrubando a coitada pelo lado de fora. Quando perguntei quem era, uma voz respondeu, de forma bastante estranha, dizendo ser minha neta. Eu não ando muito bem dos ouvidos, sabe. Na minha idade a audição também já foi embora. Com muito custo eu consigo ouvir alguma coisa em volume mais baixo. Conversa comigo tem que ser em alto e bom som, senão vou pedir para repetir a toda hora. E é tão chato isso, não é? Ai, minha nossa, já estou desviando outra vez do assunto! Pois então, ouvi aquela pancada na porta, aquela voz rouca, mas pensei que era efeito da minha gripe. Fui devagar até a porta. Outra pancada. E eu caminhando. E nova pancada. Imaginei que Chapeuzinho estivesse com uma força sobrenatural pelo som da batida. Além de uma dor de barriga, pelo desespero para que eu abrisse. Finalmente, alcancei a maçaneta. Mal girei o trinco, VUPT! Não deu nem tempo de ver direito um monte de dentes, uma língua e uma goela. De repente, ficou tudo escuro e bem apertado. Como sou uma senhora e já não tenho mais força nos braços nem nas pernas, não conseguia me mover direito. Foi então, que ouvi uma risada e a voz do lobo comemorando o fato de ter me engolido e dizendo que vestiria uma roupa minha e ficaria na cama “esperando meu jantar chegar”, como ele falou. Ah, que desaforado! Até então eu não sabia que Chapeuzinho vinha só, nem sabia que minha neta tinha desviado da estrada, conhecido o lobo e dado meu endereço. Enfim, eu não sabia de nada! E, pobre de mim, estava lá agora espremida dentro daquela barriga. Mal conseguia respirar, de tão apertado que era.
Foi aí que ouvimos uma nova batida. Desta vez era mais fraca e, então, soou a voz de Chapeuzinho. O lobo gritou para que ela entrasse. Percebi que ela estava sozinha. E fiquei muitíssimo preocupada. Tentava me mover para incomodar o lobo, mas não conseguia. E ele havia me engolido sem minhas agulhas de tricô. Juro, menina, juro por tudo que é mais sagrado que eu teria dado umas espetadas na barriga dele por dentro. Mas, não tinha jeito. A minha esperança era que minha neta se aproximasse, visse que era o lobo e, então, corresse pedindo ajuda aos lenhadores que provavelmente ainda estavam na floresta naquele fim de tarde. Mas, o que aconteceu a partir de então foi uma série de acontecimentos que me deixou na dúvida se Chapeuzinho tem o mesmo sangue que eu. Ah, menina! Se eu pudesse sair da barriga do lobo e dar umas palmadas na minha neta, eu teria feito isso. Afinal, não é ingenuidade, nem distração. É burrice mesmo, daquela que não tem cura! Como pode?
Eu lá, esmagada na barriga, de repente ouço o lobo falar: “Aproxime-se, minha querida”. Então, pensei: “Ah, agora ela vai ver que é um lobo e vai sair correndo”. Boba, eu. Ouço a voz da Chapeuzinho: “Nossa, vovó, a senhora está muito peluda. Ah, deve ser a gripe, não é mesmo?”. Na mesma hora eu pensei: “Menina esperta. Está ganhando tempo, mas sem dúvida já está se preparando para correr”. E o lobo: “Sim, minha querida, estou bem adoentada. Deite-se aqui comigo”. Senti a cama se mexer. Pensei: “Hum, parece que minha neta se deitou ao nosso lado”. Foi então, que ouvi a Chapeuzinho falar: “Nossa, vovó, que braços enormes”. E o lobo: “São para te abraçar melhor, minha querida”. E eu pensei: “A essa altura, a Chapeuzinho já deve estar longe e eu comecei a ter alucinação, é claro”. De repente, ouço de novo: “Nossa, vovó, que nariz enorme”. E o lobo: “É para te cheirar melhor, minha querida”. E eu: “Bom, não estou entendendo muito esta estratégia, mas passou da hora desta menina sumir daqui”. Quando menos esperava, lá vem ela: “Nossa, vovó, que orelhas enormes”. E o lobo: “São para te ouvir melhor, minha querida”. Nesta hora eu já estava começando a desconfiar de que tinha alguma coisa errada. Mas, sabe menina, meu nome é Maria Esperança, então não costumo entrar em pânico por uma bobagem qualquer. Mas, foi nesta frase que eu perdi a paciência: “Nossa, vovó, que olhos enormes”. E o lobo: “São para te enxergar melhor, minha querida”. Minha vontade era ter mãos enormes para sentar na cara da minha neta. Juro, menina. Fiquei nervosíssima. Minha pressão subiu tanto que eu pensei que ia explodir. Eu já estava imaginando o que mais de “enorme” ela iria ver no lobo, quando ela finalmente solta a sua última frase: “Nossa, vovó, que boca enorme”. E o lobo: “É para te comer melhor, minha querida”. E VUPT! Num instante, mandou a Chapeuzinho pra dentro da barriga junto de mim. A sorte dela é que era tão apertado lá dentro que eu não conseguia me mexer, nem falar nada. Senão, eu teria transformado minha neta num ser inteligente em poucos segundos. Nada que uma boa cinta no lombo não resolva. Ai, menina. Eu queria morrer! Como alguém pode ser tão inocente? Na minha época nós éramos crianças puras, doces, porém espertas! Ah, que minha nossa senhora me perdoe, mas eu senti uma raiva enorme de minha neta naquela hora. Juro que senti.
Depois disso tudo eu não tive a menor dúvida de que era o nosso fim. Um lobo malvado, uma velha senhora e uma criança pentelha. De repente, um ronco. E outro. E outro. E aquilo ficava cada vez mais alto. E mais. E mais. Percebi que o lobo dormia. E comecei a rezar para que alguém passasse e nos visse ali, presas naquela barriga. Estava eu lá iniciando a quarta parte da reza, quando sinto a barriga do lobo se mexer. E parecia que uma luz surgia lá no fundo. E foi aumentando. E aumentando. De repente, a barriga ficou menos apertada. Notei que Chapeuzinho tinha sumido. “Será que o lobo fez cocô dormindo?” Pensei comigo mesma, na esperança dele fazer mais um pouquinho e me jogar pra fora também. E a barriga começou a mexer novamente. E a luz aumentando. Aumentando. De repente, uma mão de homem surgiu dentro da barriga. Menina, não sou assanhada, mas era tudo o que eu precisava naquela hora. Agarrei aquela mão, aquele braço e, quando eu menos esperava, estava fora da barriga. Ai, vocês não acreditam! Um caçador que costumava passar por ali todas as noites, inclusive por vezes tomava um cafezinho lá em casa, ouviu o ronco e pensou que eu estava tendo um AVC. Imagine só, menina. Eu, uma pobre velha enferma, confundida duas vezes no mesmo dia com um lobo daqueles. Eu tenho Alzheimer, artrite, catarata, dor na lombar e mal de Parkinson, mas jamais na minha vida confundiria um lobo com uma velha. O caçador viu o lobo e iria dar um tiro nele. Mas, o tamanho da barriga chamou sua atenção. Ele, então, pegou minha tesoura em cima da mesa e foi cortando a pele do lobo. Era a tal luz que eu vi surgir.
Ah, fiquei tão feliz. E resolvi fazer um café para tomarmos com as broas. Foi aí que vi a Chapeuzinho correr para fora da casa. Depois de uns minutos, ela voltou com várias pedras, colocou na barriga do lobo e costurou. De repente, o lobo acordou. Ficamos observando, bem quietinhos. Ele sentiu a barriga pesada e resolveu ir até o rio para matar sua sede. Assim que chegou à margem, tropeçou e caiu dentro da água. As pedras fizeram peso e ele, então, morreu afogado.
Confesso que achei exagerada esta atitude da minha neta, mas entendo que foi uma forma dela se vingar do mal que o lobo fez, enganando-a de forma tão cruel. Ai, menina, foi uma aventura só. Mas, não espero passar por isso de novo. Até mandei instalar um interfone em casa, daqueles com câmera pra gente ver quem está lá fora. Melhor prevenir do que remediar, não é mesmo? Ah, mas não terminei o dia sem antes dar uma bela lição na minha filha e na minha neta. Afinal, o mundo é um lugar perigoso demais para deixarmos crianças andarem sozinhas por aí, e também para andarmos tão distraídos, dando atenção para qualquer estranho e... Ué, que cheiro é esse? Ai, menina! Acho que queimou o pão.
(texto elaborado para o trabalho da disciplina História do Teatro, do curso Técnico em Arte Dramática do SENAC Lapa, com objetivo de recontar a história da Chapeuzinho Vermelho de uma outra forma)
"Posso te fazer uma pergunta? Qual a tua idade?"
Por que a gente sempre faz, na verdade, duas perguntas?! Quando soltarem a primeira, responda de prontidão: "Pronto, já fez uma pergunta. Quer fazer outra?".
O ideal seria: "Vou te fazer uma pergunta: qual a tua idade?".
Ok, "estou a falar" como os portugueses que são bem literais e levam tudo ao pé da letra. Se você disser lá: "Você tem coca-cola?", o garçom simplesmente vai responder que "Sim", mas não vai trazer pra ti o refrigerante. Afinal, você perguntou se tinha, mas não disse que queria! Exagero, podemos dizer.
Porém, vou perguntar: vai dizer que, assim como eles, não tenho razão?
* Fisolofia: série aqui do blog que reúne filosofias insanas de minha cabeça e, por isso, a troca do nome, conforme explicado AQUI.
Fui pesquisar o que é o Carnaval e, principalmente, a Quarta-feira de Cinzas, algo que sempre me chamou a atenção. Lembro que minha mãe comentou um pouco sobre o significado, mas nunca deu detalhes de fato.
Daí, lembrei-me disso hoje e corri no Google. E encontrei o seguinte:
"Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C. (...) A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra 'carnaval' está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão 'carnis valles', que, acabou por formar a palavra 'carnaval', sendo que 'carnis' em latim significa carne e 'valles' significa prazeres. Em geral, o carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-feira gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras)" (Wikipedia).
"A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte" (Wikipedia).
Não me levem a mal, mas vejam se entendi direito: depois do Carnaval (recheado de bundas, corpos nus e, claro, sexo em demasia), é chegada a hora de refletir no dever da conversão. Ou seja, as pessoas entram na putaria, depois vão refletir e se purificar com Deus, de modo que Ele possa perdoar a cada um. E todo ano a coisa se repete: putaria -> reflexão -> perdão -> putaria... É isso mesmo, produção?!
Não entendo muito esta lógica religiosa, juro...
O ser humano é algo sempre problemático. Quando o assunto é relacionamento, então, nem se fala. Mas, onde será que está a origem do problema?
Bom, o mundo atinge finalmente sua marca de 7 bilhões de pessoas. Deste montante, conhecemos durante a vida uma minúscula parcela. Se conhecermos 70.000 (o que eu considero que seria muito), teremos conhecido apenas 0,001%.
Dentre os 70.000, aprendemos que o correto é amar e viver com uma única pessoa ao longo de todos os nossos anos de vida na Terra, que dá 70 em média. Mas, considerando um universo de 7 bilhões, esta 1 pessoa que "temos" de encontrar representa 1,5 x 10-8 %. Ou seja, temos outras 6.999.999.998 pessoas que poderiam também estar conosco. Mas queremos uma só. E exigimos que esta também queira uma só: a gente.
Podem até existir outros motivos para o insucesso dos romances, contrários na vida real do que acontece na ficção. Mas, pergunto: tem como isso dar certo? Claro que não. Mas quem daí consegue de fato se desprender e deixar a outra pessoa seguir seus passos, sem tentar prendê-la unicamente a nós?
Isto, sim, seria amor: saber que o outro está feliz e realmente sentir-se bem com isso. Mas eu sei: é uma tarefa fácil de falar, porém bem difícil de praticar...
Para muitos esta foi a oportunidade. Para outros, o sacrilégio. E, para alguns, a vontade. Rock in Rio é assim. Divide o país entre os que podem ir, os que não querem ir e os que gostariam de ir.
Uma das maiores reclamações, que inclusive geram piadas diversas, é com relação ao nome: Rock, quando tem bastante Pop, e Rio, quando já foi montado inclusive em Portugal e Madri. Mas, são críticas sem fundamento, uma vez que a marca deixou de estar vinculada a um estilo e uma cidade, para se tornar um festival de música que une milhares de pessoas com intuito de se divertir e ouvir um bom som. O principal é Rock, mas por que não promover esta mistura?
Independente destas confusões, que sem dúvida não terão um consenso tão cedo, o fato é que o evento não deixa a desejar. Pelo contrário: é fenomenal. E a estrutura toda montada para o festival é de fazer inveja a outras cidades e festas por aí.
O Rio de Janeiro promoveu o evento e, quem soube aproveitar bem, não teve problemas. Reclamações de segurança e transporte foram ouvidas. Eu, ao contrário, só tenho elogios a tecer, como descrevo a seguir.
O Transporte
Compramos o Rio Card (espécie de Bilhete Único de São Paulo) na chegada ao show, o que nos garantiu pagar somente R$ 12,50 cada um para ir e voltar do evento (Catete - Terminal Alvorada - Rock in Rio - Terminal Alvorada - Catete).
Na ida, saímos às 11h e paramos no Barra Shopping, na Barra da Tijuca, para almoçar. Tempo total gasto de deslocamento (sem o tempo no shopping): 2h. Suportamos uma fila que ia do Autódromo à entrada do evento, mas que andava com certa rapidez - nosso único problema.
Na volta, saímos na penúltima música da Rihanna. Tempo gasto total desde o portão da Cidade do Rock até a entrada do hotel: 1h30.
E teve gente sofrendo e pagando caro com táxi, ônibus especial, etc... Desnecessário.
A Segurança
Levei somente um porta-cartão com o Rio Card, um pouco de dinheiro (R$ 100,00) e meu RG. Voltei com quase tudo, com exceção de R$ 50 gastos com transporte, alimentação e bebida.
Câmeras fotográficas e celulares ficaram no hotel. Tanto para evitar roubos e furtos, como também perdas.
Mas, na minha opinião, celular por ali não faz muito sentido. Em caso de se separar dos amigos, para encontrá-los novamente basta marcar um ponto de encontro e, entre os shows, ir até lá reunir a turma. Foi o que fizemos e deu muito certo. E, para fazer ligações para fora, dispenso comentários, porque o show é para curtir ali e não ficar passando notícias em tempo real ao mundo inteiro. Celular, de fato, é dispensável.
A Estrutura
Imagine depois de alguns minutos sofrendo numa fila com o sol bravo sobre o lombo, chegar à Cidade do Rock e dar de cara com vários chafarizes jorrando água fria... Não se tem dúvida: você arranca o tênis na mesma hora e se refresca. É o primeiro grande prêmio.
Após alguns minutos ali, finalmente você adentra no evento. O queixo cai. O Palco Mundo é de outro mundo. Lembrando uma cidade e seus edifícios, assusta pelo tamanho. Roda gigante, montanha russa, tirolesa, cidade-tema, quiosques diversos (música e gastronomia) e banheiros bem localizados complementam o lugar.
Nosso problema foi que dois amigos insistiram em ir na tirolesa. 2h de fila e, como o vento ficou forte no final da tarde, cancelaram a diversão. E eles não conseguiram descer pelas cordas... Isso atrasou e gerou confusão. E ainda sofreram depois para conseguir comida.
Eu, ao contrário, consegui algo bacana: evitei as terríveis filas que surgem nos quiosques de comida, principalmente no intervalo de shows. Como não fui na Tirolesa por medo de altura, enquanto aguardava meus amigos resolvi comprar comida. Aproveitei e comprei várias fichas a mais no Bob's. Comi um lanche às 18h e fui para o primeiro show. Com as fichas nas mãos, aproveitei o show do Elton John para comprar o outro lanche. Não passei fome, não sofri com fila, não me estressei. Sucesso!
Banheiro masculino nunca é problema. E, desta vez, foi ainda melhor, já que não colocaram aquelas porcarias de banheiros químicos que são sempre um transtorno. Foi montada uma estrutura de mictório na parede, o que garantia a higiene e a agilidade no uso. Outra coisa que me ajudou: não tomar muita cerveja.
Minha única reclamação é a falta de mais lixeiras. Não é a toa que, segundo a reportagem, foram recolhidas mais de 10 toneladas de lixo. Do chão. Uma pena ver o que virou o lugar que encontramos tão impecável.
O Show
Finalmente a parte que interessa: o show. A minha expectativa era grande por conta do show de abertura. Titãs e Paralamas juntos, mais orquestra. Teríamos ainda shows de bandas pop, como Kate Perry e Rihanna, a presença de Claudia Leite, e o que era considerado a atração da noite: Elton John.
A quantidade de adolescentes era grande, por conta das cantoras femininas. Mas, o público mais velho, fãs do rock nacional e do cantor inglês, também marcava presença. Uma mistura intensa, que ficava visível em todos os espaços da Cidade do Rock. A Orquestra Sinfônica Brasileira foi a primeira a entrar no palco. Bastante animada, os músicos iam até a beirada do palco, saudavam os presentes e, então, tiravam fotos. Tudo deixava o público ainda mais em êxtase.
19h. Começou a contagem regressiva no telão e a queima de fogos. Um clipe mostrava um pouco do primeiro festival em 1985, dando ênfase à dupla nacional da abertura e à Freddie Mercury. Após o vídeo com duração um tanto longa, convenhamos, começa a música "Love of My Life", cantada pelo vocalista do Queen. Em seguida, unindo épocas e gerações, Milton Nascimento inicia a mesma música, já na companhia dos Titãs, Paralamas e Orquestra Sinfônica. Sensacional.
A dupla de rock nacional mostrou o porquê de sobreviver tanto tempo ao tempo. A força das bandas, a energia dos músicos, a beleza das notas, a genialidade das letras, a parceria entre eles, a cumplicidade com o público, tudo estava perfeito. O som falhou algumas poucas vezes, mas nada que comprometesse a qualidade do show. Inesquecível. Foi o que me deixou rouco, pois cantei quase todas as músicas, empolgado por estar ali.
20h terminava o show da dupla. A próxima seria Claudia Leite, a carta fora do baralho. Além de um ritmo totalmente fora do contexto do festival, a artista não faz o perfil de nenhum dos que estavam comigo. Aproveitamos, então, para ir atrás de comida, já que apenas eu tinha as fichas compradas antecipadamente. Voltamos na penúltima música dela e pudemos confirmar o que já sabíamos: Claudia Leite é a artista que “engana” bem. Ela desfila de um lado a outro do palco numa pose com peito aberto e cabeça empinada que mais lembra um pombo, levanta um braço aqui, rebola um pouco ali e pronto. Todo mundo acredita que ela sabe dançar e cantar.
Não demorou muito para o que seria, a meu ver, o show mais surpreendente da noite. No quesito cenário, é claro. Kate Perry entraria em cena. E eu considero uma verdadeira proeza de seu pessoal de produção conseguir transformar um palco padrão num espaço com a cara da artista. Magnífico. Em poucos minutos a transformação do palco foi do nada para o tudo! Mas foi a única coisa que agradou. Cantou bem as primeiras três músicas, porém logo se mostrou cansada. E daí desandou de vez. O show teatral é muito bem feito, mas a parte de música deixa a desejar. Nada que escutar um CD em casa não promova o mesmo efeito. Ainda bem que não era um show somente dela. Senão, era dinheiro jogado no lixo.
Na sequência entrou Elton John, o “oposto-perfeito” de Kate Perry. Como se houvesse uma vassoura mágica, em poucos minutos sua produção limpou completamente o palco, sobrando apenas os instrumentos da banda. Surgiu um piano no centro e só. Ele realmente não precisa de mais nada. Ele é o show. Quando iniciou suas músicas, mostrou o porquê de ser tão genial. Uma voz fenomenal tomou conta da Cidade do Rock. E que voz! Potência, afinação. Perfeito! O único problema é que a escolha de músicas pendeu para o lado de hits menos conhecidos e com ritmo mais lento. Deu sono. Muitos começaram a sentar no chão e tirar um breve cochilo. Depois de tanto som com ritmo forte, colocar Elton John foi um baita desperdício. Uma pena!
Finalmente teríamos o último show da noite. Rihanna. Confirmando seu desrespeito com o público que já é de praxe, ela demorou 1h30 para entrar no palco. As vaias tomavam conta. 100 mil pessoas na expectativa de uma música, uma explicação, um sinal. E nada. E vaias. E vaias. Até que, finalmente, ela apareceu. Em questão de cenário, estava mais para Elton do que para Kate: pouco. Figurino? Um só. E bem ridículo. Alguns juram que ela cantou com playback. Eu acredito que não, mas as back vocals estavam, realmente, num volume muito acima, talvez para encobrir a falta de voz da artista, que mais deixava o público cantar do que ela própria. Segundo informações posteriores, foi um problema em sua garganta que culminou em seu atraso. Não acreditei muito, mas enfim, foi um show mediano. A única coisa boa, no meu caso, era conhecer várias músicas, o que permitiu que eu acordasse. Diferente de Kate Perry, as músicas tiveram alguns arranjos especiais para o show, o que faz com que o público se sinta melhor por ter ido ao evento para ouvir algo exclusivo. Mas só.
O resumo da noite, então, foi mediano no quesito música: o único show que realmente valeu muito a pena foi o de abertura. Milton Nascimento, Titãs, Paralamas, Maria Gadu e a Orquestra Sinfônica mostraram o que é realmente um espetáculo. O restante não foi ruim, mas são shows que não faço questão de voltar a assistir – com exceção do Elton John, mas num dia tranquilo, num horário mais cedo, sentado numa cadeira confortável e sendo ele o único artista.
De qualquer forma, já estou na expectativa para 2013. Porque, pelo que depender de mim, estarei lá de novo! Com muito Rock ou pouco, com gêneros totalmente fora ou não, o fato é que no geral eu adorei. E espero poder conferir outras atrações, até mesmo em mais de um dia, pois o valor cobrado para ver tantos artistas de uma só vez é irrisório quando comparado com muitos shows por aí, que custam muito mais, duram muito menos e você prestigia um cantor só.
Que venha 2013. E que venha comigo quem tiver coragem!
A abertura da primeira temporada de Two and a Half Men conta com o ator Augus T. Jones ainda menino, com 10 anos de idade. As outras sete temporadas com o mesmo trio (que tem ainda Jon Cryer) apenas diferencia com uma montagem no final, com o Augus já crescido. Finalmente, estamos na nona temporada e, agora, sai Charlie Sheen para entrar Ashton Kutcher.
Confira a nova abertura, que a meu ver ficou pra lá de bem engraçada.
Abertura original - primeira temporada
Nova abertura - nona temporada
Vídeo com montagem de todas as nove temporadas.
Assista se tiver saco de ouvir a mesma música por nove vezes seguida!!!
Um relacionamento possui uma quantidade de coisas ruins maior do que a quantidade de coisas boas. Por que dá certo? Isso se deve ao fato de que o peso - ou intensidade - das coisas boas é maior que o das ruins. Com isso, a soma das poucas coisas boas se torna maior que a soma das muitas coisas ruins. De forma resumida, significa maior prazer e menor estresse.
Entendido esta etapa, vem a pergunta: por que às vezes cansa e cai na rotina? Simples: ainda que o "valor" da soma das coisas boas seja maior, o que gera mais prazer, a quantidade das coisas ruins sendo maior significa mais tempo vivendo estressado - por menor que o estresse seja.
Imagine, a título de exemplo, você passar uma semana dividida em cinco dias pouco estressado e dois extremamente feliz. Acredite, isso cansa. Mas, acredite também: isto pode ser o suficiente para durar a vida toda.
O segredo é saber o quanto estamos dispostos a viver muitos momentos pouco estressantes em contrapartida dos poucos momentos extremamente prazerosos e felizes. A balança tende a ser sempre assim, pode apostar. O que diferencia, às vezes, é que as muitas coisas ruins começam a pesar igual ou mais do que as poucas coisas boas. E, neste hora, ocorre a separação.
Mas, a dica do titio é que não se iluda: a chance do "valor" da soma das poucas coisas boas ser muito maior que o da soma das muitas pequenas é praticamente nula.
Se sabemos e entendemos isso, fica fácil estarmos preparados para tudo. E conseguimos passar por cima dos obstáculos, das adversidades, dos momentos difíceis. Basta que aproveitemos os poucos momentos felizes para recarregar nossa bateria, de modo a sobrevivermos quando o dia mal chegar.
Porque, esteja certo, ele vai chegar. E você, está preparado?
A partida do nosso mestre Gelson Tsonis, ator, diretor, dramaturgo e professor, ocorrida de forma inesperada nesta semana, trouxe diversas reflexões.
Foram muitos os emails e mensagens através das redes sociais onde cada um pôde expor o que este triste momento trouxe a todos que tiveram a oportunidade de aprender muito com ele. E resolvi fazer o mesmo: colocar a cabeça para pensar e dar uma filosofada, como gosto muito de fazer...
Uma coisa que nos faz parar para pensar é a respeito da Vida. Ela é de fato um sopro. Hoje estamos aqui. E amanhã? Somente Deus é quem sabe.
Sempre ouvimos dizer que a morte é a nossa única certeza. E é. Como disse um amigo nosso durante o sepultamento, a Vida é como um espetáculo: sempre tem um final. O grande problema é que, diferente de qualquer peça, não temos a menor ideia da duração. Serão horas? Dias? Meses? Anos? Décadas? Séculos, como alguns poucos conseguem atravessar? Não sabemos.
E é aí que está a importância do que fazemos durante a Vida. Não levaremos nada de material para o outro lado, embora seja importante conquistarmos nossas coisas com o nosso suor. Mas, devemos lembrar que deixaremos muita coisa do lado de cá. Podemos até viver pouco, mas deve ser com intensidade tal a ponto de transformar vidas, ajudar a realizar sonhos, fazer alguém ir adiante e evoluir em sua jornada terrena. É o tesouro maior que podemos deixar, assim como este mestre nos deixou.
E é aí que importa o COMO vivemos. Já dizia Renato Russo: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há". E não é só isso. Tudo na vida temos que fazer hoje como se não houvesse amanhã. Afinal, não há garantia nenhuma que amanhã ainda estaremos aqui.
Quer comprar algo? Compre hoje. Gostaria de viajar para algum lugar? Viaje hoje. O emprego está um saco? Mude hoje. Achou um curso legal pra fazer? Matricule-se hoje. Aquele vestido/terno na loja é a tua cara? Adquira hoje.
Claro que os exemplos acima precisam de dinheiro para serem realizados. Mas, às vezes planejamos tanto e tanto que esquecemos de que o mais importante é colocar em prática. Agora, o que realmente temos de nos atentar é para aquilo que não gasta um centavo, mas tem um rendimento ainda maior.
Brigou com alguém? Resolva hoje. Algo na pessoa ao teu lado está errado? Indique para ela hoje. Uma pessoa fez algo brilhante? Elogie-a hoje. Gosta de uma pessoa? Diga a ela hoje. Ama seus pais? Abrace-os hoje. Seus filhos são teu grande orgulho? Mostre a eles hoje. Sua família é o teu grande amor? Leve-os para passear hoje. Não vive sem teus amigos? Comunique-se com eles hoje. A dona da doceria fez uma torta ótima? Parabenize-a hoje. O bicho de estimação te faz feliz? Dê uma volta na rua com ele hoje. A tua família está um pouco dispersa? Reúna todos para um jantar hoje.
E mais: nunca faça nada esperando pelo pagamento amanhã, seja aqui em Vida ou seja lá do outro lado, independente da religião. Acredite: se você fizer um bom trabalho hoje, amanhã você terá a tua merecida recompensa!
Enfim, VIVA HOJE. A frase é um clichê, mas tenha certeza: é extremamente sensata e uma das mais corretas!
Agradeço a Deus e a todos vocês meus bons e velhos amigos com os quais convivi às vezes pouco, outras vezes muito, mas o suficiente para me transformar em uma pessoa melhor a cada dia. Hoje sou muito melhor do que ontem e devo muito a todos.
Obrigado. Hoje e hoje.
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TERRA, AMERICA DO SUL BRASIL, Sudeste SAO PAULO Homem, 30 anos |
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